Viagem & Gastronomia

Tour HT por Gramado: conheça o Mini Mundo (bem movimentado, aliás) em que tudo é 24 vezes menor do que a realidade

Pontos turísticos nacionais e internacionais ganham versões perfeitas e reduzidas e são palco de ações cotidianas e moradores bem excêntricos. Um, digamos, prato cheio para viajar na imaginação...

Publicado em 7 de julho de 2016 | Por Heloisa Tolipan

Com Lucas Rezende

Nos idos da década de 80, um casal de irmãos, meio que entediado no quesito brincadeira, foi buscar socorro na criatividade (e boa vontade) de seus respectivos pai e avô. A menina pediu uma casinha de bonecas, enquanto o menino foi além e sugeriu um conjunto de castelos – com direito a trenzinhos em miniatura. Pedidos feitos, pedidos aceitos. O palco dos novos, digamos, empreendimentos infantis foi o jardim em frente ao hotel Ritta Höppner, em Gramado, na Serra Gaúcha. Mas o avô, responsável pelo negócio hoteleiro e visionário que só, pensou com um toque de ousadia: quando as crianças crescessem, o que fariam com as pequenas construções? Foi quando decidiu já construir o conjunto de castelos imaginando dividi-los, posteriormente, com os hóspedes do hotel em forma de um serviço de lazer a mais. Por isso, além dos castelos, uma pequena cidade em miniatura, ao ar livre, ganhou forma com um diferencial: recriando cenários de pontos turísticos famosos – europeus e brasileiros. Nascia ali uma parada obrigatória para quem frequenta Gramado: o Mini Mundo.

Mini Mundo: Uma viagem fantástica ao mundo real em miniatura (Foto: Gramado - Henrique Fonseca)

Mini Mundo: Uma viagem fantástica ao mundo real em miniatura (Foto: Gramado – Henrique Fonseca)

E foi exatamente no destino que HT baixou durante seu tour pela cidade gaúcha – depois de conhecer o Museu de Cera. O espaço, logicamente, foi ampliado, ganhando uma rua lateral do hotel Ritta Höppner e uma fachada de castelo medieval, com tijolos e bandeirinhas. Na recepção? Uma moça devidamente trajada com a bruxa Ju. Simpática, a recepcionista do Mini Mundo é o inverso do que se imagina do personagem que voa em vassoura, usa chapéu pontiagudo e vestido roxo. Lá, ela tem a missão de distribuir o jornal local Notícias do Mini Mundo, preparar os turistas e tem o dom e a missão de proteger as famílias. Explica-se: a ideia é proporcionar um tour por um mundo completamente diferente. Por isso, criaram moradores – e até prefeita. A diferença, além do mundo fictício, está principalmente no tamanho: tudo é 24 vezes menor do que a realidade.

A bruxinha tem a responsabilidade de distribuir o jornal do Mini Mundo (Foto: Gramado - Henrique Fonseca)

A bruxinha tem a responsabilidade de distribuir o jornal do Mini Mundo (Foto: Gramado – Henrique Fonseca)

Por lá, se encontram versões mínimas – e com farta riqueza de detalhes -, da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto (MG), a Estação Ferroviária de São João del Rei (MG), o Museu da Luz de São Paulo (SP), o Aeroporto de Bariloche (Argentina), a Cordilheira dos Andes (Argentina) e ícones da arquitetura mundial como o Castelo de Lichtenstein, a Igreja de Stuttgart-Berg, a Central Elétrica de Eisfeld, a Igreja de Wassen, a Prefeitura de Alsfeld, a Torre de TV Hamburg e por aí vai. Tudo dividido em sete estações (batizadas de A a G) encaradas como complexos – que são intercalados pelo Relógio da Floresta Negra, o Poço dos Desejos, a Casinha das Bonecas, o Corredor da Fama e o Memorial Otto Höppner, por exemplo.

Entre um ponto turístico e outro, o conceito de cidade do Mini Mundo ganha força e mais entendimento com as ações cotidianas que vão surgindo. Exemplos? Perto da miniatura da Usina do Gasômeto…o trânsito foi interrompido pela presença de um objeto estranho. Com a ajuda de bombeiros, guardas e motoristas – todos bonecos em miniatura, of course -, a organização ajuda a conferir esse status de cidade reduzida aos turistas. E tem mais: os minimundenses, como se chamam os nascidos no Mini Mundo, têm suas vida expostas – como a boa realidade – no jornal da cidade que cada frequentador ganha ao entrar. Maria Fujona, por exemplo, abandonou seu lar em nome do grande amor de sua vida, Filogônio Soares. Detalhe: usando lençóis – à la Rapunzel. Tudo logicamente, à vista dos visitantes.

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Entre acidentes de trânsito e incêndios (para entrar no clima: Dona Boló Tynha, uma minimundense, sofrendo um sério problema de sonambulismo, ateou fogo na próxima casa, localizada em uma área nobre), o Mini Mundo, além de uma dose carregada de passeio lúdico para as crianças, atrai muitos adultos – enquanto HT esteve por lá, a proporção de marmanjos sem companhia dos pequenos era infinitamente superior.

Entender o movimento é fácil: tamanha perfeição de castelos, aeroportos, museus e igrejas, o que desperta o interesse de qualquer idade. Ah, e com um plus: os trens, que fazem longos percursos em ferrovias, são – disparados – os queridinhos de quem por lá passar. Palavra de quem foi ouvido pela reportagens, em discurso praticamente uníssono.

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No Mini Mundo, tudo é feito à mão. O que permite detalhes curiosos. À frente da Igreja de São Francisco de Assis, por exemplo, há tapetes tradicionais de Corpus Cristhi. Quando minimundenses fizeram um protesto, até faixas com dizeres de ordem – tudo, sempre é bom lembrar, 24 vezes menor do que o normal -, erguidas. Isso sem contar com os chafarizes, as escadas nas casas, janelas, gramas, lagos, ruas, faixas de pedestre, vegetação, postes de iluminação e por aí vai. Isso quando alguma miniatura não é construída com a mesma matéria-prima do ponto turístico em questão.

Ah, e já que estamos falando de uma mini-cidade que tem até partidos políticos – o PDMM (Partido Democrático Mini Mundense) é um deles -, contar que levantamos todas essas informações acompanhados de um limpador de chaminés (este de carne e osso) que, segundo um lenda alemã, traz sorte, é relevante?

Dica: no Mini Mundo, qualquer detalhe é primordial. Até porque, são nos pequenos frascos que estão os melhores venenos. Ou, nesse caso, as melhores surpresas.

Em tempo: nossa viagem por Gramado continuará nesta série.

Agradecimentos:

Prefeitura Municipal de Gramado – www.gramado.rs.gov.br

Grupo Brocker de Turismo – www.brockerturismocom.br – + 55 54 3282-5400

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  • Fabio Marcos Frasão

    Foi em Gramado que passei minha Lua de Mel em 2008. Ao conhecer o Mini Mundo, fiquei impressionado com a miniatura do Castelo de Neuschwanstein. Tão impressionado que tracei uma meta de vida.
    Fiquei feliz por conseguir realizar o sonho de conhecer o original em 2011. Não tiro a foto do meu LinkedIn pois trata-se de realização de planejamento.