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Com registros históricos e tecnologia, Gramado ganha museu totalmente dedicado ao Festival de Cinema: “É um acervo muito rico”, diz curadora

Espaço de 584 metros quadrados, que fica anexo ao Palácio dos Festivais e ao lado da Igreja de São Pedro, abriga histórico do evento, que chega à sua 44ª edição em 2016

Publicado em 1 de setembro de 2016 | Por Leonardo Rocha

Um país sem memória é um país sem cultura. E pensando nisso, a cidade de Gramado inaugurou nesta sexta-feira o Museu do Festival de Cinema, que se tornou o primeiro espaço totalmente dedicado ao Festival de Cinema que há 44 anos homenageia grandes nomes e produções memoráveis da nossa sétima arte. Com mais de quatro décadas de história, a premiação já recebeu nomes icônicos como Lima Duarte, Maitê Proença, Fernanda Montenegro, Marília Pêra e, recentemente, Tony Ramos e a musa Sonia Braga. É tanta história que nada mais justo do que reunir tudo isso em um só lugar para os cinéfilos de plantão conseguirem se deliciar e recordar tudo o que já se passou na cidade localizada na Serra Gaúcha.

Museu de Gramado (Foto: Divulgação)

Museu de Gramado (Foto: Divulgação)

O empreendimento está localizado em anexo ao Palácio dos Festivais, ao lado da Igreja São Pedro, ponto turístico da cidade construído no ano de 1917,  e ainda conta com um café super moderninho e aconchegante, que oferece uma vista belíssima da cidade que segue arquitetura enxaimel, tipicamente alemã. A área de 584 metros quadrados abriga um material exclusivo sobre a história do evento e também sobre o cinema brasileiro. Pelas paredes do museu, mais de 100 cartazes de filmes que formam uma linha do tempo sobre o Festival de Gramado, cuja primeira edição ocorreu em janeiro de 1973, em pleno verão. Só depois de anos o festival passou para o segundo semestre do ano, se abrigando na inverno – estação que deixa a cidade ainda mais charmosa.

Quadros com encartes de filmes histórica decoram o local (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Quadros com encartes de filmes histórica decoram o local (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

O acervo é fruto de uma pesquisa que durou apenas quatro meses. Arquivos pessoais e históricos foram resgatados e hoje compõem o material do museu. “A gente fez toda uma triagem do acervo que encontramos. Passaram por nós em torno de 10 mil documentos contando a história do festival, que resgatamos em diversos lugares. Materiais privados, pessoais, das pessoas que organizaram o festival em anos anteriores. E nós conseguimos muito conteúdo, cartazes de todas as edições, a ficha técnica de todos os filmes”, contou a museóloga Daniela Schmitt ao HT, que também é a curadora do espaço.

Museu do Festival de Cinema é único ligado a Festival de Cinema no país (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Museu do Festival de Cinema é único ligado a Festival de Cinema no país (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Logo na entrada, os visitantes são recebidos por quadros com fotos de artistas e um grande telão que conta um pouco da história do conceituado festival. “Aqui a gente apresenta alguns objetos e quadros de melhor ator e melhor atriz, mas já pertenciam ao Museu do Centro de Cultura desde 2000, que funcionou durante alguns anos, mas fechou. E hoje fizemos alguns trabalhos de restauração e eles estão aqui”, disse ela. O projeto foi avaliado em R$2,5 milhões e conta com incentivo de empresas privadas. “É uma primeira versão do museu, mas ele ainda vai se expandir. Nós temos muito conteúdo e queremos que esse espaço ganhe mais projeção. Conseguimos a ajuda de alguns pequenos editais no início e hoje também contamos com a iniciativa privada”, adiantou Daniela.

Parte interna do museu (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Parte interna do museu (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Já o um dos responsáveis pelo evento, o mais popular dos críticos de cinema do país, o “homem Oscar”, Rubens Ewald Filho, ressaltou que o espaço é um projeto inédito no Brasil. “Eu nunca tinha me dado conta que esse é o único museu de cinema no país. O que é uma loucura. O Rio de Janeiro não ter um patrimônio desse, por exemplo. é um absurdo. Assim como muita coisa nesse país”, comentou Rubens.

Mas muito se engana quem pensa que o museu é lugar de coisa antiga. Misturando objetos históricos e um espaço multimídia, o projeto é inspirado nos grandes museus do mundo com linguagem moderna e interativa e pretende levar o público a uma imersão no mundo cinematográfico, exibindo e registrando a trajetória do cinema brasileiro, dos grandes diretores, atrizes e atores por meio de imagens, vídeos, objetos e jogos interativos que nos levam para este universo. Haverá também locais dedicados às atrizes Zezé Motta, Maitê Proença e ao ator Lima Duarte, que, em breve, ganharão estátuas de cera em homenagem.

Espaço visto de fora (Foto: Divulgação)

Espaço visto de fora (Foto: Divulgação)

Ainda segundo Daniele, tudo está conversando com a boom das mídias socais. “A gente tem toda a parte de conteúdo de pesquisa, mas a proposta é trabalhar os cinco sentidos. Para isso a gente usou a tecnologia a nosso favor. Saímos do estático para entrar no mundo contemporâneo. A nosso ideia é que seja um espaço interativo, dinâmico e que atraia bem um olhar a partir das tecnologias visuais”, disse a curadora, que ainda mostrou orgulhosa diversos totens eletrônicos com ferramentas de pesquisa e games, como jogo da memória e um quiz sobre o festival, espalhados pelo salão.

“Nós estamos realizando entrevistas com diretores de cinema, críticos, atores e atrizes que estão participando deste festival e imagens que resgatamos desde 1973, quando teve seu início, e está tudo exposto por aqui. É um acervo muito rico, já olhamos mais de 10 mil documentos. Foi um período curto, de apenas quatro meses para organizar tudo, mas que, com a ajuda de parceiros, conseguimos erguer este espaço que estará sempre se atualizando, afinal, a cada ano que estar por vir terá um novo festival”, adiantou ela.

Figurinos de filmes marcantes que passaram pelo festival serão expostos (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Figurinos de filmes marcantes que passaram pelo festival serão expostos (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Dentro desta viagem serão exibidos conteúdos e documentários retratando a história do festival. A entrada será gratuita para todos os moradores de Gramado e, para os turistas, durante os dias úteis, o ingresso terá o valor de R$ 20 e nos fins de semanas e feriados R$ 30. O Horário de funcionamento vai de 9h às 20h todos os dias.

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