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Camila Pitanga conta em entrevista ao Fantástico os detalhes da morte de Domingos Montagner: “Eu vi o último olhar dele”

Em entrevista a Sonia Bridi, acompanhada dos familiares e do namorado, o ator Igor Angelkorte, Camila se emocionou e disse que Domingos salvou a vida dela

Publicado em 19 de setembro de 2016 | Por Junior de Paula

Quase quatro dias depois do trágico acidente que tirou a vida de Domingos Montagner após um mergulho no Rio São Francisco, em Canindé, no Sergipe, ao lado da companheira de elenco de “Velho Chico” Camila Pitanga, a atriz deu sua primeira entrevista ao “Fantástico”, na noite deste domingo. Acompanhada de familiares, como o irmão, Rocco, o pai, Antonio, e o namorado, Igor Angelkorte, a atriz conversou com a repórter Sonia Bridi, em sua casa, no Rio. Camila começou contando que ela, Domingos, Lucy Alves e Gabriel Leone tinham combinado de ir se despedir do rio, mas que, no fim, só os dois puderam ir. “Por acaso só nós dois podíamos ir naquela hora. E quando estavamos indo para o hotel, vimos que tinha essa praia. Estava vazia, o motorista ainda parece que teve uma intuição e sugeriu que perguntássemos antes a alguém, mas a gente se olhou e imaginou que estava vazia porque era dia de semana. Olhamos pra um lado e tinha uma especie de lodo, a água não estava muito convidativa, e Domingos foi até umas pedras e disse que lá estava tudo bem. Ele mergulhou primeiro e eu cabreira, fui entrando aos poucos”, disse ela.

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Segundo a atriz, a correnteza mudou rapidamente. “Fiquei com medo de a gente se machucar na pedra por causa de uma leve correnteza e falei pra gente voltar pra praia. Quando percebi que não conseguia vencer essa correnteza, que era muito suave, mesmo, aí eu me desesperei. Conversei comigo mesma, pra me organizar. Mas não estava tendo noção do que estava acontecendo. Me acalmei e consegui chegar até duas pedras que estavam próximas. Subi na pedra e pensei ‘aqui está tudo certo’. Vi que Domingos não nadava e que estava assustado. Pensei ‘vou ajudar’. Não tinha noção do que estava acontecendo, não sou heroína, não é isso. Fui ajudar meu amigo. Peguei no antebraço dele. Mas ele não vinha. Soltei o braço dele e mostrei que estava tudo bem. Ele não saía do lugar e não falava nada. Foi aí que ele submergiu a primeira vez”, contou Camila, que, em seguida, começou a gritar por ajuda.

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“Comecei a gritar ‘socorro, socorro’. Foi muito estranho, porque ele aparentava estar paralisado. Eu acho que alguma coisa estava segurando a perna dele e ele, lindo, generoso que é, não quis me falar a real que estava acontecendo. Eu queria salvar meu amigo, mas sabia que ali eu não voltava. Pensei na minha filha. (…) Em nenhum momento ele me segurou. Ele me salvou. Eu acho que ele sabia o que estava acontecendo e me deu uma oportunidade de viver [de novo], me deu essa chance. Foi uma coisa muito generosa”, disse ela, emocionada. “É uma segunda chance de poder estar com os meus amigos, de estar com a minha filha, de viver, e eu vou honrar isso”, confessou. “Eu vi o último olhar dele. Ele não queria ir porque estava cheio de vida, cheio de projetos, amado por uma família linda que eu tive oportunidade de conhecer. Eles foram extremamente generosos comigo, porque é muito duro você ser testemunha disso”, finalizou.

 

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