Teatro & Pensata

Tássia Camargo volta ao teatro com a peça “As Cadeiras” e esclarece polêmicas com Dilma: “Fiz apenas uma ironia”

Segundo a atriz, de 54 anos, envelhecer para ela nunca foi uma questão. " Eu não tenho o menor problema quanto a isso. Eu não quero fazer plástica e acho que a sabedoria está em primeiro lugar. Por sinal, eu adoro que meus netos me chamem de avó”

Publicado em 11 de agosto de 2016 | Por Leonardo Rocha

Ícone dos anos 80 e 90, Tássia Camargo nunca teve medo de falar o que pensa. Com quase quatro décadas de uma carreira que se mistura com a história da televisão brasileira, a atriz começou no teatro no ano de 1978, quando deu início a sua jornada e, de lá para cá, participou de produções históricas como a “Escolinha do Professor Raimundo” e “O Salvador da Pátria”. Hoje, a loura segue em cartaz com a peça “As Cadeiras”, escrita por Eugene Ionesco e dirigida por ninguém menos que Ney Latorraca. Em entrevista exclusiva ao HT, a artista contou um pouco sobre a experiência de voltar a trabalhar com Ney, agora por trás das cortinas, e já começou o papo esclarecendo algumas polêmicas que rondaram o seu nome nos últimos meses.

Tássia Camargo (Foto: Divulgação)

Tássia Camargo (Foto: Divulgação)

Para quem não sabe, recentemente Tássia postou um vídeo na internet onde pedia alimentos para a presidente afastada Dilma Rousseff. A confusão foi tanta que a atriz foi super criticada por internautas após a publicação. Durante a gravação do recadinho, a artista se posicionou a respeito do corte temporário do vale alimentação da petista e seus assessores pelo presidente em exercício Michel Temer. No entanto, segundo ela, tudo não passou de uma brincadeira. “Isso foi uma ironia que acabou virando meme e eu morri de rir disso tudo”, disse ela, que ainda esclarece algumas questões sobre seu posicionamento político.

“Tiraram o cartão alimentação de uma presidente que foi afastada e não julgada. Então, o que eu quis dizer ali com o meu subtexto era para provocar mesmo. Ninguém tem o direito de fazer isso com a Dilma, sendo que o Cunha, que já era é réu, tinha todas essas mordomias. Mas como eu fiz a coisa um pouco séria, as pessoas acharam que eu realmente estava pedindo comida para ela”, disse. “Como o golpe está claro, eu fiz essa brincadeira para mostrar que não era a comida em si. Eu quis alertar que ele (Temer) tirou os direitos de uma pessoa que não foi julgada. As pessoas acham que tirando o PT do poder vai acabar a corrupção. Isso é uma grande bobagem. Eu tenho certeza que isso é um golpe. Nessa confusão toda, para mim, o Temer é apenas um vice que não representa ninguém”, comentou.

Ainda sobre política, Tássia afirmou, no entanto, que não é a favor do governo Dilma. “O que é mais engraçado é que eu não sou PT. Eu apoiei o governo Lula, sim, mas eu não sou PT mesmo. Estão me enchendo ando o saco com isso que daqui a pouco eu vou me filiar”, disse, aos risos. “Eu sou de esquerda e penso sempre nos mais necessitados. Eu faço diversos trabalhos com ONGs e em favelas, mas não fico divulgando. Eu vim de uma família pobre e me sensibilizo muito com tudo isso”, revelou.

Tássia Camargo (Foto: Divulgação)

Tássia Camargo (Foto: Divulgação)

Pontos esclarecidos, a atriz, destaque em “As Cadeiras”, afirmou ter se identificado com o estilo Latorraca de ser. “Somos da mesma escola. Conheci o Ney em 1984, quando fizemos a minissérie ‘Rabo de Saia’. Ele é um irmão, amoroso. Com ele e com Didi, (como chama Edi Botelho, também na peça) me sinto em casa, conhecemos nosso timing”, adiantou a atriz. “O Ney está aprovadíssimo e ainda acho que será chamado mais vezes para dirigir. Nós fizemos um trabalho de mesa, que há muito anos eu não fazia. Ensaiamos na sala da casa dele durante três meses e quando chegamos aqui já estávamos adaptados ao espaço e com o enredo. A nossa química é muito boa”, comentou.

Diogo Vilela, Ney Latorraca, Edi Botelho e Tássia Camargo (Foto: Eny Miranda)

Diogo Vilela, Ney Latorraca, Edi Botelho e Tássia Camargo na estraia da peça “As Cadeiras” (Foto: Eny Miranda)

Acostumada a fazer muitas comédias, a atriz confessou ter ficado mais ansiosa com a estreia da produção dramática que retrata os devaneios do que é envelhecer. “Todo trabalho para mim é um grande desafio, mas como eu nunca tinha feito Ionesco, e trabalhar com o Ney, eu fiquei com uma adrenalina um pouco mais abalada”, disse ela, que ainda falou sobre como é envelhecer na era da imagem. “Faz parte da vida, né? Eu não tenho o menor problema quanto a isso. Eu não quero fazer plástica e acho que a sabedoria está em primeiro lugar. As pessoas acham que você é obrigada a estar toda esticada aos 54 anos, sabe? Por sinal, eu adoro que meus netos me chamem de avó”, revelou Tássia, toda sorridente.

Com 54 anos de idade, a atriz passou alguns anos dando aula de teatro na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), chamou a atenção por sua beleza e bom humor ao interpretar Maria da Glória na “Escolinha do Professor Raimundo”. Mesmo afastada das telinhas, ela garantiu que assistiu a todos os episódios do remake da série humorística e aprovou. “Eu fiquei muito emocionada ao assistir a Escolinha porque eu vi os ali os meus amigos que se foram e os que ainda estão vivos. Eu adoro a Fernanda de Freitas, que fez a ‘chamou chamou’ (bordão da personagem), como atriz. Eles fizeram tudo com muito amor. Está aprovadíssimo”, garantiu.

Tássia como Maria da Glória na "Escolinha do Professor Raimundo" (Foto: Divulgação)

Tássia como Maria da Glória na “Escolinha do Professor Raimundo” (Foto: Divulgação)

No entanto, sem planos para voltar a televisão, Tássia garantiu que até agora não surgiu nenhum convite que tenha balançado seu coração. “Eu pedi demissão em 2006 da Rede Globo, mas eu nunca deixei de fazer teatro. Se uma pessoa bacana me convidar para fazer televisão eu voltaria, mas não surgiu nada de interessante nesse tempo. Hoje me dou o direito de fazer aquilo que quero, quando quero e porque quero. Quando eu critico uma emissora por ser partidária, as pessoas não entendem. Não é porque o meu chefe é flamenguista e eu tricolor que eu tenho que ser flamenguista, sabe?”, disse ela, afastando qualquer intriga com a Rede Globo. Mas quando o assunto é com a Record, ela é taxativa: “Na Record eu não piso mais”, garantiu ela, que no passado teve problemas contratuais com o canal.

Pesquisas relacionadas

  • Laurindo

    Meus respeitos, Tássia Camargo. É disto que precisamos nestes “pobres trópicos”: mais solidariedade, menos intolerância, mais preocupação com os pobres e menos egoísmo como o praticado pela elite econômica e política e pelo gado-de-corte representado pela classe média-média e alta. Parabéns e que Deus ilumine sempre seu caminho.