Teatro & Pensata

Erom Cordeiro estreia em “Supermax”, na Globo, e interpreta drama de Steven Berkoff no teatro: “É uma enxurrada de palavras e emoções”

Na minissérie, que começa nesta terça-feira, o ator vive Sérgio, um ex-policial que foi expulso da corporação e está entre os 12 participantes do reality show com cenário de terror. "Essa minissérie é bastante diferente de tudo o que já vimos na televisão brasileira e deve ter uma ótima repercussão"

Publicado em 20 de setembro de 2016 | Por Julia Pimentel

Depois do sucesso nos palcos do Rio de Janeiro, Erom Cordeiro se prepara para estrear nas telinhas e, após a minissérie “Supermax” (Rede Globo), seguir em cartaz no Rio até semana que vem com a peça “Laio e Crísipo”, no Teatro Ipanema, com apresentações gratuitas, e pôr o pé na estrada com a peça “Decadência”, ao lado de Aline Fanju, com texto de Steven Berkoff . Sucesso de bilheteria durante o período olímpico, esta última aborda temas pesados, como o ódio, em um enredo que se passa em 1891. “Esse espetáculo do Berkoff trata sobre o embate de classes através dos sete pecados capitais. É um texto muito crítico, ácido e pesado para nós atores também. Durante os 80 minutos de peça, eu e Aline não saímos do palco em momento algum. Então, é uma enxurrada de palavras e emoções que deixam expostas os nossos lados e posições mais escondidas. É uma critica social, política e comportamental muito forte. Mas, ao mesmo tempo, é um prazer e uma diversão muito intensa”, contou Erom que em breve volta a estar em cartaz com o espetáculo “Decadência”.

Erom Cordeiro e Aline Fanju em "Decadência" (Foto: Divulgação)

Erom Cordeiro e Aline Fanju em “Decadência” (Foto: Divulgação)

Para dar vida a esse drama de Steven Berkoff, Erom Cordeiro conta com a parceria da atriz Aline Fanju. No palco, os atores contam a história a partir de dois relacionamentos entre amantes: um de ricos que retratam a aristocracia aborrecida e o outro de invejosos e rancorosos que vivem reclamando e julgando a vida fácil dos outros. Sobre essa cumplicidade em cena, Erom destacou a importância de dividir o palco com uma amiga. “Eu conheço a Aline há bastante tempo, e isso ajudou muito. A gente já tinha trabalhado antes e essa sincronicidade cênica que nós temos é muito importante e necessária para que o espetáculo possa acontecer. Esse trabalho que eu faço com a Aline em ‘Decadência’ inspira, principalmente, porque estamos juntos o tempo inteiro”, declarou o amigo e ator.

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Porém, tratar de temas pesados em um texto que critica o comportamento da sociedade não é uma tarefa fácil. Principalmente nos dias de hoje. No entanto, ao seu lado, Erom Cordeiro tem o escudo da arte que, como acredita, possibilita ao ator abordar questões mais sérias de uma forma um pouco mais leve. “Eu acho que a arte acaba colocando uma lente de aumento em pontos que às vezes ficam escondidos na sociedade. Com a internet, as pessoas criam opiniões sobre todos os assuntos. E isso é bom e ruim, porque atrás dos comentários anônimos há muita intolerância. E a peça fala justamente dessas verdadeiras faces que surgem na sociedade. Antigamente as pessoas tinham mais pudor em se expor. Hoje em dia, as opiniões estão muito mais descaradas e as pessoas não se preocupam de mostrar suas ideologias reacionárias, por exemplo. E isso é um espelho um pouco cruel da nossa realidade. O objetivo é que as pessoas saiam do teatro refletindo sobre os comportamentos e atitudes que têm na sociedade”, disse Erom que, em relação ao atual momento brasileiro, enxerga a situação com preocupação. “Tudo o que está acontecendo na política do nosso país é por causa de uma cegueira coletiva ocasionada pelas mídias. No cenário político, as pessoas bradam por moral e ética sem o menor fundamento, porque em suas atitudes não pregam isso. Esse processo de impeachment foi completamente torto e agora a gente não sabe para onde vai. Junto a tudo isso, ainda tem uma crise econômica que afeta todo mundo”, opinou o ator que “tem fé” e torce por um futuro melhor.

"Esse processo de impeachment foi completamente torto e agora a gente não sabe para onde vai" (Foto: Reprodução)

“Esse processo de impeachment foi completamente torto e agora a gente não sabe para onde vai” (Foto: Reprodução)

Depois de conhecermos o mais novo trabalho de Erom Cordeiro no teatro e de sabermos o que o ator pensa sobre o atual panorama político, é hora da televisão. Nas telinhas, Erom estreia nesta terça-feira, dia 20 de setembro, a série “Supermax” na Globo no papel de Sérgio, um ex-policial que foi expulso da corporação. Em um novo formato, o programa deve mexer com as emoções dos telespectadores. “Supermax será tipo um reality show só que com um cenário de terror. Esse trabalho é bastante diferente de tudo o que já vimos na televisão brasileira e deve ter uma ótima repercussão. O enredo gira em torno de 12 participantes que vão para um presídio no meio da Amazônia disputar um prêmio milionário sem conhecer o perfil dos concorrentes. Assim como no BBB, o objetivo deles é ganhar o programa. Porém, durante o confinamento, algumas situações começam a dar errado e o clima fica bastante tenso”, adiantou o ator que se declarou “um espectador assíduo” de séries. “Não tem como eleger uma preferida. Mas eu adoro ‘Breaking Bad’ e ‘House of Cards’, contou.

No final de setembro Erom Cordeiro estreia na minissérie "Supermax" (Foto: Reprodução)

No final de setembro Erom Cordeiro estreia na minissérie “Supermax” (Foto: Reprodução)

E as séries, de fato, conquistaram um lugar especial na carreira de Erom . Além de “Supermax”, o ator também está no elenco de “Natureza Morta”. Desta vez como protagonista, Erom Cordeiro tratará sobre um tema ainda mais pesado. “São cinco episódios que mostram a formação de um psicopata serial killer. O personagem é um fotógrafo de moda que começa a ter uma psicose e, a partir daí, muda completamente o comportamento”, disse sobre o trabalho que irá ao ar no CineBrasil TV.

Apesar do sucesso das series e minisséries, Erom Cordeiro contou que não acredita que o novo formato represente algum risco às tradicionais novelas. Para o ator, as duas tramas são narrativas distintas. “Os latino-americanos estão muito acostumados a fazer, e muito bem, e assistir às novelas. Então, eu acho que por esse costume, as novelas nunca vão acabar. Mas, por outro lado, acredito que as séries vão ganhar cada vez mais espaço na televisão e nas plataformas de streaming”, opinou. Afinal, tem espaço para todo mundo, ?

Erom Cordeiro (Foto: Reprodução)

Erom Cordeiro (Foto: Reprodução)

E, por falar em novela, um dos trabalhos de maior repercussão de Erom Cordeiro nos folhetins foi em “América”, em 2005. Na trama, o ator ao lado de Bruno Gagliasso protagonizaram o debate sobre o que seria o primeiro beijo gay da televisão brasileira. Na época, a cena não foi ao ar. Mas hoje, onze anos depois, a teledramaturgia avançou e já tivemos, inclusive, cena íntima entre dois homens em “Liberdade, Liberdade” recentemente. Sobre esse progresso, Erom Cordeiro disse que enxerga como um aspecto positivo. “Ainda existe um certo tipo de polêmica que não era mais para ter. Embora no mundo isso já seja tratado de uma forma mais prosaica, eu acredito que nós ainda estamos caminhando a passos lentos. Mas, ainda bem, estamos passando por esse avanço”, comemorou o ator Erom Cordeiro.

Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro em "América" (Foto: Reprodução)

Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro em “América” (Foto: Reprodução)

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