Teatro & Pensata

Discutindo as diferentes fórmulas dos relacionamentos, Ângela Vieira volta aos palcos com a peça “Até o Fim da Noite”: “É preciso ter tesão e muita paciência”

Antenada com tudo o que está acontecendo no nosso país, ela ainda aproveitou para ressaltara importância da cultura para uma civilização: "Falar de cultura nesse momento político tem sido muito conturbado. A gente está vivendo um momento muito especial como há tempos não vivíamos. Nós artistas estamos muito machucados, assim como a população em geral"

Publicado em 26 de setembro de 2016 | Por Leonardo Rocha

Dois casais de diferentes gerações dialogam para tentar resolver questões amorosas em plena crise conjugal. É com essa temática que Ângela Vieira promete voltar aos palcos brasileiros com a comédia romântica “Até o Fim da Noite”, no Teatro Ipanema, no Rio. Comemorando 38 anos de carreira, a atriz, que já foi bailarina profissional e integrou o Corpo de Baile do Municipal carioca, mostra que não perdeu o rebolado e já emendou um novo trabalho ao lado do ator Isio Ghelman, logo após encerrar as apresentações do aplaudido “Santa”, no qual matou as saudades de dançar nos palcos, após 30 anos longe do balé. Em entrevista exclusiva ao HT, a artista aproveitou para falar mais sobre sua personagem, escrita por Julia Spadaccini, que ganha vida a partir do dia 8 de outubro.

Ângela Vieira (Foto: Divulgação)

Ângela Vieira (Foto: Divulgação)

“A peça fala do encontro de dois casais de gerações distintas, mas, antes disso, fala sobre vida. Nós fazemos um contraponto de como esse casal mais velho atravessa um casamento de 30 anos e como esse dupla jovem está encarando essa nova vida a dois. Existe essa troca de informações e o espetáculo tem um lirismo muito próprio da Julia. É uma comédia quase que romântica”, destacou ela, que ainda comentou as dificuldades de se manter uma relação nos dias de hoje. “Eu acho que as pessoa são muito diferentes. Não existe uma fórmula. Você pode fazer um apanhado geral, mas uma fórmula não existe. Casar é difícil. É difícil para o jovem e para o mais velho. Além do amor, do tesão e da admiração, que é o tripé fundamental para uma relação, tem que ter paciência. Não tem como ficar junto sem ter tesão”, ensinou Ângela que é casada há 15 anos com o jornalista e publicitário Miguel Paiva.

Além do sucesso com a vida profissional, a atriz também impressiona por esbanjar saúde e beleza no auge dos seus 64 anos, mas ela não esconde seus segredos. “Fui bailarina profissional e a vida toda cuidei muito da saúde. Isso reflete na aparência. Vivo sem neura. Como de tudo, menos glúten, há mais de seis anos, antes de virar moda”, disse, aos risos. “Procuro evitar sorvetes cremosos, que adoro, mas de vez em quando tomo uns maravilhosos. Ninguém é de ferro, né?”, brincou ela, que também inclui exercícios físicos na rotina.

Atriz está prestes a voltar ao teatro com a peça "

Atriz está prestes a voltar ao teatro com a peça “Até o Fim da Noite” (Foto: Divulgação)

Agora, consequentemente ou não, com a chegada das Olimpíadas Rio 2016 e a revitalização de grandes centros históricos do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa ganhou novas salas e teatros que prometem marcar história das artes no Brasil. A exemplo disso a inauguração dos teatros Riachuelo, no Centro, Nathalia Timberg, na Barra da Tijuca e o Cesgranrio, no Rio Comprido – só para citar alguns. Para Ângela, esses espaços marcam uma nova era para as produções brasileiras. “É da maior importância, não só pela abertura dessas casas, mas também porque a gente estava acompanhando outras salas sendo fechadas. Isso dá uma baque enorme na classe artística e naqueles que apreciam arte. Nós estávamos com um espaço super reduzido para realizar nossas produções. E acompanhar esse revitalização das casas de espetáculo tem dado um calorzinho no coração, sabe? Eu espero que quem proporciona tudo isso gere muitos outros frutos para que nós tenhamos mais salas abertas. Acho que isso ainda estimula muito mais a expansão da nossa cultura, que é tão rica. A gente tem que lembrar que arte e cultura em geral também emprega muita gente”, constatou ela.

Ângela na inauguração do Teatro Riachuelo, no Rio. (Foto: Divulgação)

Ângela na inauguração do Teatro Riachuelo, no Rio. (Foto: Divulgação)

Antenada com tudo o que está acontecendo no nosso país, ela ainda aproveitou para ressaltar que, apesar de todas as “coisas absurdas” que foram ditas sobre a classe artística nos últimos meses, é preciso continuar acreditando que a cultura é a verdadeira identidade de uma nação. “Falar de cultura nesse momento político tem sido muito conturbado também. A gente está vivendo um momento muito especial como há tempos não vivíamos. Está tudo muito complicado. E nós artistas estamos muito machucados com tudo isso, assim como a população em geral. Isso tudo deixa a gente meio desacreditado, mas temos que juntar nossas forçar e esperar que essa maré melhore e seguir em frente. A gente não pode deixar que essa onda nos cubra”, disse ela. Já sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ela foi enfática. “Estou de luto pelo Brasil”, afirmou.

Longe das telinhas desde que interpretou a personagem Clarice de “I Love Paraisópolis”, a atriz ainda garantiu que tem projetos para voltar a teledramaturgia, logo após sua peça dirigida por Alexandre Mello. “Eu adoro fazer televisão e bate uma saudade danada. Eu tenho muita vontade de voltar, mas agora eu preciso estrear no teatro”, completou.

Pesquisas relacionadas