Teatro & Pensata

Conheça Arthur Ienzura, o carioca que interpretou Frejat e, agora, recria os Mamonas Assassinas em “O Musical Mamonas”

No espetáculo, que tem uma banda fazendo a parte sonora por trás da cortina, o ator dubla os sons da bateria. Apesar de não tocar de verdade, Arthur nos contou que aprendeu a imitar os movimentos do baterista. "Eu sou um macaco adestrado, né? Se me ensinar a fazer, eu faço"

Publicado em 23 de agosto de 2016 | Por Julia Pimentel

E se um dia você virasse um ídolo que sempre aplaudiu? Na mais recente aventura da carreira como ator de Arthur Ienzura, ele interpreta o baterista Sérgio, dos Mamonas Assassinas.  No musical, que fica em cartaz no Theatro NET Rio até este domingo, o ator tem a responsabilidade de recontar e apresentar às novas gerações as histórias e peripécias do quinteto paulista que foi sucesso nos anos 1990. “O Sérgio foi um personagem muito marcante e o Mamonas representa toda uma geração”, disse Arthur que acompanhava o grupo desde criança. No auge dos Mamonas Assassinas, quando o ator tinha cinco anos de idade, Arthur confessou que não entendia muito o que eles cantavam. Mas, a irreverência da banda já despertava o interesse dele. Anos depois, mais velho, Arthur Ienzura passou a interpretar e absorver a mensagem por trás dos hits do quinteto. “Meus pais não tinham nada contra as músicas e a banda. Então, eles me colocavam para ouvir em casa. Naquela época, eu não entendia direito as letras. Mas já adorava porque eles cantavam com alegria, e isso contagiava as crianças”, relembrou o ator que se recorda até hoje, 20 anos depois, do dia em que eles morreram.

Arthur, que acompanhava os Mamonas Assassinas desde pequeno, agora tem a responsabilidade de interpretar o baterista Sérgio nos palcos (Foto: Divulgação)

Arthur, que acompanhava os Mamonas Assassinas desde pequeno, agora tem a responsabilidade de interpretar o baterista Sérgio nos palcos (Foto: Divulgação)

Para essa missão, Arthur Ienzura explicou em entrevista ao HT que pôde criar em cima de um personagem já existente. Em função de existirem poucos registros audiovisuais da banda para que pudesse se inspirar, o ator combinou a sua criatividade com a ajuda de parentes e amigos de Sérgio, que aprovaram o trabalho de Arthur. “A gente não tem muitos registros em vídeo de como era a banda fora do palco. E, nos arquivos que achamos, o Dinho estava sempre em maior destaque e os outros integrantes não apareciam muito. Por isso, eu tive muita liberdade para criar esse Sérgio. Quando montamos o espetáculo, apresentamos para as famílias dos cinco componentes da banda ainda sem cenário, figurinos e nem um final definido. Para nós, foi naquele momento que o musical começou. Eles amaram, ficaram super emocionados e chocados”, explicou o ator que desde o começo mantém contato com a família do baterista Sérgio pelas redes sociais.

Elenco de "O Musical Mamonas" (Foto: Reprodução)

Elenco de “O Musical Mamonas” (Foto: Reprodução)

Em um espetáculo musical, o ator já precisa desenvolver diversas habilidades artísticas no palco. Desta vez, além de atuar, cantar e dançar um pouco, Arthur ainda toca bateria. Quer dizer, mais ou menos. Apesar de impressionar com as baquetas, Arthur confessou que, no palco, sua principal missão é apenas dublar o som do instrumento. “Por trás da cortina tem uma banda com seis músicos tocando de verdade. Nós não tocamos ao vivo, apenas dublamos. Mas eu gostava de bateria quando era pequeno. Inclusive, quando criança, cismei que queria ser baterista. E essa minha relação mais próxima com o instrumento ajudou na seleção para o elenco do musical. A principal questão era que o ator fosse parecido com o integrante do Mamonas. Mas saber tocar foi um diferencial”, disse Arthur que aprendeu a batucar “Vira Vira” para fazer bonito na audição. “Eu sou um macaco adestrado, ? Se me ensinar a fazer, eu faço. Durante os ensaios com a banda, eu ficava do lado do baterista vendo como ele fazia e depois ficava copiando. E muita gente acredita que sou eu tocando e vem me elogiar depois”, afirmou orgulhoso o ator que só teve dois meses para incorporar o baterista do Mamonas. “O ator tem de ser 1001 utilidades. Para mim, esse desafio foi como interpretar um sotaque diferente do seu. E eu passei por isso também neste trabalho. No elenco, todos os atores são paulistas que nem os Mamonas. E eu, como único carioca do grupo, tive de aprender a fazer direito o sotaque, até para não manchar a imagem do Sérgio”, contou sobre o musical que tem como maior objetivo fazer uma bela homenagem ao quinteto.

Arthur Ienzura (Foto: Divulgação)

Arthur Ienzura (Foto: Divulgação)

Além do sucesso em “O Musical Mamonas”, Arthur Ienzura já havia dado vida a outro personagem da cultura brasileira. No espetáculo que contou a história de Cazuza, o ator teve a oportunidade de interpretar o cantor Frejat. Sobre esses trabalhos biográficos, Arthur disse que o ponto de partida é não imitar a personalidade do artista homenageado. “Nós não fazemos igual. O nosso objetivo é absorver a energia, ver como a pessoa se comporta e trabalha e, a partir daí, criar um personagem. Nós colocamos sempre um pouquinho de nós como atores e pessoas naquela figura e acrescentamos os trejeitos do artista. A gente não pode tentar copiar ninguém, porque cada um é cada um”, argumentou o ator que reconhece que é uma grande responsabilidade interpretar alguém que já existiu.

Brilhar no palco é, de fato, uma vocação do jovem ator Arthur Ienzura. Mas, ao HT, ele contou que vai além da interpretação. Há quatro anos no comando da Companhia Teatral Primitivos, Arthur disse que essa experiência que transcende o palco é “bem louca”. “Eu não posso ficar parado nos trabalhos da minha companhia. Eu tenho que produzir, trabalhar, organizar, atuar, fazer tudo ao mesmo tempo. Afinal, os resultados não caem de graça no nosso colo. Mas é um aprendizado sempre”, avaliou Arthur que afirmou ser muito difícil fazer teatro hoje em dia no Brasil. “Se você não é uma celebridade fica muito difícil. As pessoas falam que a lei Rouanet não é importante, mas o musical dos Mamonas Assassinas, por exemplo, só está em cartaz porque teve esse incentivo. Hoje em dia, tem que trabalhar, estudar, correr atrás, estar antenado…”, opinou o ator Arthur Ienzura.

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