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Miss Brasil 2015, Marthina Brandt quebra o silêncio e fala sobre luta sigilosa contra um câncer no útero: “Não queria me sentir vitimizada”

De acordo com a modelo, o diagnóstico da doença foi descoberto durante o concurso. "Passei mal antes do Miss Brasil e então fiz um exame patológico. Embarquei para disputar o Miss Universo e minha médica ligou dizendo que eu precisaria fazer quimioterapia voltando ao Brasil"

Publicado em 30 de setembro de 2016 | Por Leonardo Rocha

Eleita a mulher mais bonita do país, Marthina Brandt tinha tudo para ter vivido momentos de glória ao ser coroada Miss Brasil, em novembro de 2015. No entanto, apesar do doce gostinho da vitória, a modelo gaúcha de 24 anos passou por um drama, já superado, em sua vida. Ao mesmo tempo que comemorava o título tão batalhado por ela, a moça ainda precisou encarar o desafio de driblar um dos grande temores femininos: o câncer de útero. Hoje, curada e prestes a passar o bastão de miss para outra concorrente, Marthina quebrou o silêncio e revelou à revista “Marie Claire” o por que escolheu manter a doença em segredo durante tanto tempo. “Eu tive câncer no útero. Sou uma pessoa muito reservada quanto à vida pessoal. Não queria que as pessoas me vissem e me perguntassem sobre a doença. Não podia me abater porque se você fica triste e se entrega, o seu quadro piora. Não queria me sentir vitimizada, que tivessem pena ou achassem que eu queria justificar qualquer coisa usando o meu problema de saúde”, revelou.

Marthina Brandt, miss Brasil 2015 (Foto? Divulgação)

Marthina Brandt, miss Brasil 2015 (Foto? Divulgação)

Apesar da muito reservada, a loura explicou à publicação os motivos que a levaram a trazer o assunto a público semanas antes de entregar o posto de Miss Brasil – a edição 2016 acontece neste sábado. “Não queria ser notícia por causa de um problema, e sim ser lembrada pelo meu trabalho. A coordenação propôs abrir isso para a mídia na época, e eu não quis. Agora que estou encerrando um ciclo, não serei mais a ‘Miss Brasil coitadinha’ e intimamente estou melhor. Este é o momento”, avaliou ela, que descobriu que estava com a doença durante o concurso. “Passei mal antes do Miss Brasil e então fiz um exame. Embarquei para disputar o Miss Universo e minha médica ligou dizendo que eu precisaria fazer quimioterapia voltando ao Brasil”, relembrou.

Modelo superou um câncer no útero (Foto: Divulgação)

Modelo superou um câncer no útero (Foto: Divulgação)

Segundo a gaúcha, ela mesmo se surpreendeu com a força que descobriu dentro de si. “Você não sente nada até que estoura o negócio. Eu fazia exames a cada seis meses. Foi bem complicado, mas sendo bem sincera, eu não chorei um único dia. Hoje, quando penso nisso, tenho orgulho de mim. Fui muito forte”, avaliou. No entanto, eleita a mulher mais bela do Brasil, os efeitos colaterais do tratamento tiraram o sono da modelo.

Hoje a modelo segue curada (Foto: Divulgação)

Hoje a modelo segue curada (Foto: Divulgação)

“Essa palavra, ‘quimioterapia’, é muito pesada. É engraçado. Você se olha no espelho, está linda, fazendo o cabelo e a maquiagem, e pensa: ‘Será que vou perder meu cabelo? Tem cura? Não tem? Vou viver? Vou morrer?’. Você pensa em mil coisas ao mesmo tempo e precisa mostrar que está bem”, disse ela. “Sofri poucos efeitos colaterais. A quimioterapia não foi convencional. Foi agressiva com o tumor, mas não tanto com o corpo. Eu perdi cabelo, mas uso mega hair, então não foi perceptível. Sentia muito cansaço, tinha unhas fracas e falta de apetite. Perdi dois quilos, mas normalmente oscilo entre 52 e 55 quilos”, apontou.

Marthina representando o Brasil no Miss Universo (Foto: Divulgação)

Marthina representando o Brasil no Miss Universo (Foto: Divulgação)

O tipo de câncer de Marthina era agressivo, tanto que os médicos avaliaram com 40% de chance de cura. Apesar disso, em apenas três meses, a miss conseguiu se livrar do problema. Hoje, ela toma alguns cuidados para que a doença não volte e garantiu que a experiência a fez uma pessoa melhor. “Acho que as coisas ruins podem ser boas. Nesse caso, ocorreu uma transformação. Desde os 18 anos, fazia trabalhos voluntários relacionados ao câncer e hoje sei o que as pessoas passam. Eu me sentei na cadeira delas. No fim das contas, aconteceu algo legal comigo. Mudei para melhor”, completou ela.

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