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Por recomendação médica, Zé do Caixão não comparece em homenagem, mas sua filha Liz Marins recebe troféu em Gramado: “Foi muito discriminado no Brasil”

Em vídeo, o cineasta, que passará por uma operação de hernia em setembro, agradeceu ao festival: Quero agradecer a todos e principalmente a minha filha que está aí e dá continuidade no meu trabalho do cinema de horror, do cinema sobrenatural. Cinema não se faz com dinheiro, cinema se faz com criatividade e inteligência"

Publicado em 2 de setembro de 2016 | Por Leonardo Rocha

Um dos maiores ícones do terror cinematográfico no Brasil, José Mojica Mirins, mais conhecido como Zé do Caixão, foi um dos grandes homenageados do Festival de Cinema de Gramado. Como contamos anteriormente aqui no HT, o diretor não pode comparecer ao evento por orientação médicas, mas sua filha Liz Marins desfilou pelo tapete vermelho da premiação para receber o Troféu Eduardo Abelin no lugar do pai. Mas não pense que toda a pompa e glamour ficou de fora por conta da baixa do mestre do horror brasileiro, não. A moça incorporou a icônica personagem Liz Vamp e performou ao lado de bailarinos no melhor estilo dark. Tudo ao som de muito rock n’ roll. E para representar Mojica, a moça ainda posou com o poderoso anel do cineasta para representá-lo de forma simbólica no festival. A homenagem marca reconhecimento a diretores, produtores e técnicos pelo trabalho desenvolvido em prol do audiovisual brasileiro.

Liz Marins, recebe o Troféu Eduardo Abelin, representando o seu pai José Mojica Marins (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Liz Marins, recebe o Troféu Eduardo Abelin, representando o seu pai José Mojica Marins (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Ao HT, Liz contou um pouco sobre a emoção de estar representando um dos homens mais importantes de sua vida naquele momento. “O meu pai é homenageado no mundo inteiro e também é considerado um ícone do terror. E no próprio país dele, muitas vezes, não deram o valor apropriado. Só que ele nunca desistiu de chegar lá fora e gritar para todo mundo com orgulho que é brasileiro. Ele nunca desistiu do Brasil. Então é emocionante para ele e para mim também, que desde criança sigo com ele, estar presenciando esse momento: a pátria dele está reconhecendo a genialidade deste homem. Não só do personagem que vai além da vida, mas também o cineasta José Mojica Marins. Ele está muito feliz de receber essa homenagem ainda em vida”, disse ela, que ainda justificou a falta do cineasta. “Ele está bem, mas não veio por recomendações médicas. Ele vai fazer uma operação de hernia, que vai ocorrer agora dia 20 de setembro, e como ele tem 80 anos, foi pedido para que ele não viesse. Ele só pediu para que eu trouxesse ele no meu coração para que eu pudesse representá-lo da melhor forma possível”, contou.

José Mojica Marins, o Zé do Caixão (Foto: Divulgação)

José Mojica Marins, o Zé do Caixão (Foto: Divulgação)

Ah, e a noite não poderia ser mais perfeita na Serra Gaúcha. Se na exibição de “Aquarius”, “Elis” e “O Silêncio do Céu”, Gramado estava fervendo de calor, com termômetros marcando uma média de 28 graus, para a homenagem de Mojica o tempo fechou e uma forte garoa despencava durante a passagem da filha do Zé do Caixão. Para definir melhor os personagens, a moça deixou tudo bem esclarecido. “Na verdade a Liz Marins é filha do José Mojica Marins e a Liz Vamp é a filha do Zé do Caixão, que dá continuidade ao personagem dele. Dentro de mim eu digo que tem o DNA do José Mojica, porque a gente tem mais do que uma relação de pai e filho, eu sou mais mãe dele do que filha. Ele é o eterno meninão. Quando estamos juntos, nós somos dois adolescentes conversando. Para muitos pode parecer papo de maluco, mas o que é normalidade, né? Normalidade é um ponto de vista”, ponderou.

Liz Marins faz performance no tapete vermelho (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Liz Marins faz performance no tapete vermelho (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Embora Mojica seja conhecido principalmente como diretor de cinema de terror, teve trabalhos anteriores cujos gêneros variavam entre faroestes, dramas, filmes de aventura, dentre outros, incluindo filmes do gênero pornochanchada, no Brasil. Seu último trabalho como diretor de cinema foi no longa “Encarnação do Demônio”, de 2008. A genialidade do cineasta é tanta que, segundo sua filha, veio inspirando diversas gerações. “Poucas pessoas sabem, mas o trabalho dele não começou com o Zé do Caixão, apesar de ser uma lenda viva. O José Mojica começou nos anos 50, quando ainda era adolescente. Mas de uns anos para cá o Brasil vem reconhecendo a genialidade deste homem. O Tim Burton quando veio aqui confessou que é fã do meu pai, e mais do que fã ainda disse que ele sempre foi sua referência. É interessante ver que durante muito tempo ele sofreu preconceito e descriminações por ele não tanto estudo e apostar no gênero do horror, mas hoje tem seu trabalho reconhecido e um tapete vermelho incrível nesse festival que é tão importante para o cinema nacional”, completou.

A cineasta com o troféu Eduardo Abelin (Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto)

A cineasta com o troféu Eduardo Abelin (Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto)

Durante a homenagem, Zé do Caixão apareceu no telão deixando um recado, digamos, irreverente no telão. No vídeo, ele aparece caracterizado de seu personagem mais famosos, com unhas enormes e uma cartola na cabeça. “Quero agradecer a todos e principalmente a minha filha que está aí e dá continuidade no meu trabalho do cinema de horror, do cinema sobrenatural. Me sinto muito feliz de ela estar cumprindo o seu dever do cinema. A minha carreira começou nos anos 50 e nos anos 60 nasceria Zé do Caixão que correu e está correndo o mundo todo. Aqui no Brasil nós não temos realmente aquele aval e aquela força como tem nos outros países que engrandecem a sétima arte. Mas o que importa é o que nós fazemos e o que nós somos. Cinema não se faz com dinheiro, cinema se faz com criatividade e inteligência”, completou o cineasta.

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