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No Festival de Cinema de Gramado, Tony Ramos se emociona ao receber homenagem: “Sou um ator brasileiro que acredita no ser humano e no seu país”

O ator aproveitou para falar que sempre almejou o sucesso através de seo ofício: "Confesso que trabalhei para que pudesse um dia, quem sabe, ser reconhecido. Jamais eu teria a hipocrisia de negar a fama, o sucesso. Mas ao mesmo tempo eu busquei esse sucesso, eu quis ter esse sucesso. E quis isso trabalhando"

Publicado em 28 de agosto de 2016 | Por Leonardo Rocha

Um dos atores mais queridos do público brasileiro brilhou ao passar pelo tapete vermelho da 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Visivelmente emocionado e com lágrimas nos olhos, Tony Ramos foi a grande personalidade a ser homenageada na segunda noite de exibições de filmes, com o Troféu Cidade de Gramado, entregue a ele diretamente das mãos do prefeito Nestor Tissot. Carismático e atencioso com as pessoas que “construíram sua carreira”, ele não decepcionou aqueles que o esperavam do lado de fora das grades do evento, já que em vários momentos acenou e tirou fotos com dezenas de admiradores que o cercavam no espaço. Aos 68 anos e com 128 personagens no currículo de uma carreira que ultrapassa cinco décadas, Tony, que guarda um Kikito recebido em 2001 pela interpretação em “Bufo & Spallanzani”, falou ao HT sobre a surpresa ao ser convidado para a homenagem que celebra seus 52 anos de profissão.

Tony Ramos se emociona ao receber prêmio em Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Tony Ramos se emociona ao receber prêmio em Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

“Eu juro que não acreditei quando me ligaram. É assim que imaginei minha vida, com minha casa, minha companheira, minha família e sem preconceito nenhum. Mas confesso que trabalhei para que pudesse um dia, quem sabe, ser reconhecido. Jamais eu teria a hipocrisia de negar a fama, o sucesso. Mas, ao mesmo tempo, eu busquei esse sucesso, eu quis ter esse sucesso. E quis isso trabalhando”, disse ele, garantindo que ainda há uma estrada muito longa a ser percorrida em sua gloriosa carreira. “Há muita coisa que eu ainda desejo fazer na minha vida com a arte e não considero que a minha idade seja um problema, nem a minha barriga, que eu não disfarço”, contou, aos risos.

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Antes mesmo de receber o troféu, Tony reviu momentos de sua trajetória profissional em telas instaladas na extensão do tapete vermelho, por onde passou antes de chegar ao Palácio dos Festivais. Já lá dentro, foi surpreendido com recados de Carla Carmuratti, Daniel Filho, Flávio Tambellini e Dan Stulbac, que não esconderam sua admiração pelo ator e relembraram momentos na profissão. “Talvez vocês não possam ter ideia do que eu passei nesse percurso. Uma linda homenagem que a organização preparou, tendo a minha história de 52 anos de profissão passando ali. Fotos, tapes e imagens, revendo colegas nas e revendo a minha carreira”, revelou.

Tony Ramos recebeu o Troféu Cidade de Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Tony Ramos recebeu o Troféu Cidade de Gramado (Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Apesar de ter se tornado muito conhecido por interpretar personagens icônicos da teledramaturgia brasileira, Tony Ramos ainda acrescentou que sempre teve um olhar muito amplo para tudo que envolve a arte da atuação. Não é à toa que ele deu seus primeiros passos como ator debaixo de uma lona de circo. “Eu sou de uma geração que começou a se interessar pela arte através do cinema, no entanto, o meu primeiro filme, por exemplo, tem 50 anos e eu tinha 18 na época. Por isso existe toda uma história por trás da minha carreira nessa vertente. Eu me tornei um artista popular através da televisão. Não posso e nem quero negar isso. Porém, um ator jamais pode ter o olhar blasé e dizer que pertence a determinada turma. Um ator pertence a seu ofício, a bons personagens e a boas histórias”, ensinou o mito. “Eu sou uma pessoa que não tenho preconceito com a vida ou com qualquer manifestação de cor, credo ou opção sexual. É assim que eu sou. Um ator brasileiro que acredita no ser humano e, principalmente, no seu país”, revelou.

Agora, homenagens à parte e falando sobre os novos projetos do ator, que são muitos,  Tony garantiu estar totalmente imerso nas gravações de “Vade-Retro”, nova série da Rede Globo, sobre um sujeito diabólico que atormenta sua advogada. No papel de Abel Zebul, o protagonista da produção escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, promete trazer a reflexão sobre os valores duvidosos que existe dentro de cada ser-humano. “O texto é uma reflexão bem-humorada sobre o diabo que existe dentro de cada um de nós. É uma história sobre as nossas dualidades, com um protagonista que quer o poder acima de tudo. É um homem que dá palestras por aí e seduz as pessoas com seu jeito, sendo herdeiro de uma grande fortuna que pode ter adquirido de modo escuso. O mais bacana é ser um produto repleto de incorreção política”, adiantou.

Tony Ramos no tapete vermelho do festival (Foto: Edson Vara)

Tony Ramos no tapete vermelho do festival (Foto: Edson Vara)

Já na TV, Tony Ramos ainda tem se arriscado como apresentador de um programa de entrevistas,  intitulado “A Arte do Encontro”, com exibição todas às quartas, no Canal Brasil. Da lista de entrevistados que estão por vir, ele destaca seu papo com o cantor Zeca Pagodinho. “Eu já botei até o Ney Matogrosso para ler um trecho de uma peça, a inesquecível ‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’, no meu programa, mas com o Zeca, teve o lance inusitado de ele me chamar para uma roda de samba em sua casa em Xerém, para tomar cerveja e comer leitão assado com pão”, contou o ator, que não para de trabalhar nem um segundo.

Convidado ainda para protagonizar um longa sobre a vida de Allan Kardec, o pai da doutrina espírita, Tony também aproveitou sua passagem por Gramado para divulgar o longa-metragem “Quase Memória”, de Ruy Guerra, ainda inédito, no qual vive o alter ego do romancista Carlos Heitor Cony. “Este filme é um poema”, define o ator, que não acredita em sucesso de bilheteria, como foi a franquia de “Se Eu Fosse Você”, mas reforça que o trabalho pode surpreender, como aconteceu com “Getúlio”, de João Jardim. “Não é um filme blockbuster. Difícil não é, mas não é um filme de grandes filas, como a gente costuma dizer. Mas pode surpreender e se tornar um filme de boca a boca”, comentou ele sobre a produção que tem previsão de lançamento para outubro deste ano.

O artista compareceu no evento ao lado da esposa Lidiane Barbosa (Foto: Edson Vara)

O artista compareceu no evento ao lado da esposa Lidiane Barbosa (Foto: Edson Vara)

Além de Sônia Braga e Tony Ramos, outros artistas serão homenageados e têm presença garantida no festival. O cineasta José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão, receberá o troféu Eduardo Abelin, que é entregue como reconhecimento a diretores, produtores e técnicos pelo trabalho desenvolvido em prol do cinema brasileiro. Já a atriz argentina Cecilia Roth, famosa por estrelar as obras de Pedro Almodóvar, será homenageada com o Kikito de Cristal.

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