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Em “Escolinha do professor Raimundo”, Betty Gofman declara: “Sabe quando um personagem é seu? Ninguém me tira dona Bela ou Zezé Macedo”

A atriz, que esteve em cartaz no teatro com “A inesquecível Zezé Macedo”, contou que acredita que a atriz quem lhe presenteou com a personagem na TV. “Me senti tão perto dela em cena, no palco. Sou tão próxima da Zezé hoje que tenho a sensação de que ela me deu esse presente”

Publicado em 23 de agosto de 2016 | Por Karina Kuperman

Betty Gofman é Dona Bela. E é ela mesma quem diz. A atriz, que, no remake de “Escolinha do professor Raimundo”, interpreta a personagem que foi de Zezé Macedo, se apaixonou pelo papel. “Na verdade eles me chamaram porque eu fiz a história de vida da Zezé no teatro, então a minha preparação já estava muito sólida, profunda. Estudei e li muito, me imbuí de Zezé Macedo. A Dona Bela é ela, um pouco exagerada. Eu tenho muito ela nas mãos. Nos ensaios da peça eu me emocionei demais, a Zezé tem uma história de vida muito trágica e, ao mesmo tempo, muito vitoriosa, é uma mulher especial. Sabe quando um personagem é seu? Ninguém me tira dona Bela ou Zezé Macedo”, garantiu ela, que pretende voltar com a peça “A inesquecível Zezé Macedo” aos teatros. “Foi muita gente da família dela, sobrinhos, o povo da cidade… eles tem objetos que foram dela e eu segurei no palco, roupas que ela usou na escola de samba. Quem a conhecia se emocionou muito”, contou.

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Não à toa: “A Zezé Macedo perdeu um bebê com um ano. Ela gritou, perdeu a voz e, quando voltou, voltou esganiçada. A voz daquele jeito vem de uma tragédia e ela usou para fazer humor. Isso é lindo. Ela sempre quis ser atriz e só conseguiu muito tarde. Ainda assim, foi recordista em número de filmes, fez cinema, teatro de revista, não é só Dona Bela”, destacou ela, que foi além: “Quem quer muito e vai à luta consegue, mas outra igual não tem. Ela é um ícone de vitória, de humor…”. Para Betty, de fato é um trabalho especial: “Esses atores todos da ‘Escolinha’ são comediantes maravilhosos. É um humor ingênuo, atual, engraçado. Quem já viu fica encantado de ver essa releitura quase que imitação – que não é uma palavra boa, já que cada um, claro, acaba dando seu olhar, sua bossa, mas é uma homenagem para esses caras enormes. Esse país não tem memória então eles vão ficando esquecidos. Muitos já morreram, outros estão velhinhos”, disse.

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Falando nisso, a atriz acredita que “o velho não é valorizado no Brasil”. “O cara era um gênio, tinha uma importância enorme na sua área de atuação e, quando envelhece, vira só ‘um velho’, que não serve para nada. Na nossa profissão é especialmente duro, porque estamos acostumados com exposição, reconhecimento, carinho e, de repente, você é abandonado”, declarou. “A ‘Escolinha’ tinha essa identidade: pegava esse povo que era deixado de lado. Mas não temos mais um Chico Anysio e nem sei e vai aparecer alguém que faça isso de forma tão linda como ele. Me sinto muito mais sendo homenageada por ter recebido essa incumbência, essa responsabilidade. É muita sorte”, comemorou ela, que “deve tudo à Zezé”. “Fiquei muito apaixonada por ela e sou grata demais. Me senti tão perto dela em cena, no palco. Sou tão próxima da Zezé hoje que tenho a sensação de que ela me deu esse presente”, afirmou.

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E Betty garantiu: a segunda temporada de “Escolinha do professor Raimundo” já é uma certeza. “Começamos a gravar depois que o Mateus (Solano) terminar ‘Liberdade, liberdade‘, por conta de caracterização”, entregou ela, que entra em outra produção: “Estou escalada para ‘Haja coração’, que está no ar. Mas só entro no capítulo 70, mais para o fim. Não posso contar nada porque é uma surpresinha. Uma personagem que chega com alguns mistérios”, adiantou. Já estamos ansiosos.

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