Arte & Literatura

ArtRio inaugura sua sexta edição no Pier Mauá com exposições de artistas nacionais, internacionais e expectativa confiante de mercado

De acordo com a curadora do evento, Brenda Valansi, o momento é de ascensão para a arte brasileira. "Nos últimos anos tivemos forte projeção no mercado internacional. Além disso, continuamos com nossa meta de apresentar galerias e artistas novos, possibilitando novas descobertas e uma oxigenação do mercado"

Publicado em 29 de setembro de 2016 | Por Leonardo Rocha

Com aproximadamente 78 galerias nacionais e gringas, a sexta edição da ArtRio desembarcou no Pier Mauá trazendo diversidade de obras e otimismo ao mercado financeiro – apesar da crise no país. Entre pinturas, fotografias, esculturas e objetos de design, o evento que tem início nesta quinta-feira e promete movimentar os galpões da revitalizada Praça Mauá até o domingo de eleições, expõe trabalhos de 59 artistas brasileiros e 14 estrangeiros, com o intuito de comercializar a produção tanto de nomes consagrados como a de jovens artistas. E os preços variam entre R$ 1,500 e R$ 8 milhões. Bem democrático para quem realmente aprecia objetos de arte. Na tarde deste quarta-feira, nós do HT estivemos presentes na inauguração para convidados e contamos tudo o que aconteceu por lá. Vem, que tá imperdível!

ArtRio desembarca no Pier Mauá de quinta à domingo (Fotos: Murillo Tinoco/Divulgação)

ArtRio desembarca no Pier Mauá de quinta à domingo (Fotos: Murillo Tinoco/Divulgação)

Nesta edição, além de apresentar o melhor do cenário da arte brasileira e mundial, a ArtRio também pretende se firmar como um evento com resultados expressivos para as galerias em termos de geração de negócios. Segundo seus organizadores, a feira é uma plataforma com desdobramentos ao longo de todo os 12 meses seguintes, atingindo diferentes públicos na difusão do segmento de arte no país. “Nosso foco este ano está nos colecionadores e curadores brasileiros e internacionais, que vêm ao evento a convite da ArtRio”, explicou Brenda Valansi, idealizadora do evento. Para ela, apesar da crise econômica, o momento é de ascensão da arte verde e amarela. “Temos que ter em mente também que o momento é muito favorável à arte brasileira, que nos últimos anos teve forte projeção no mercado internacional. Além disso, continuamos com nossa meta de apresentar galerias e artistas novos, possibilitando descobertas e uma oxigenação do mercado”, avaliou.

Os curadores do evento Leonardo Espindola, Márcio Parizotto, Brenda Valansi e Luiz Calainho (Foto: Divulgação)

O Secretário da Casa Civil Leonardo Espíndola, Márcio Parizotto, diretor de marketing do Bradesco, Brenda Valansi e Luiz Calainho, sócios e diretores da ArtRio (Fotos: Murillo Tinoco/Divulgação)

Mesmo com a baixas de sete galerias, que incluem nomes de peso como a londrina White Cube e a catalã Mayoral, se compararmos com a mesma mostra do ano passado, a ArtRio traz obras de Giorgio Morandi, pela David Zwirner, instalações de Franz Ackermann, pela galeria paulistana Fortes Vilaça, e uma pintura de Changall, pela Athena. Já a francesa Galerie Agnès Monplaisir, expões obras da colombiana Olga de Amaral, grande conhecida da mostra carioca, e a Galeria de Arte Ipanema apostou na exibição de uma escultura de parede especial do artista plástico Sérgio Camargo.

Entre as veteranas que permanecem na feira, a Fortes Vilaça, de São Paulo, chega ao Rio após uma experiência na última SP-Arte, em abril, que a sócia Márcia Fortes descreve como animadora. “Sabemos que é um ano muito difícil para todo mundo, em todos os setores. Por isso fomos para a SP-Arte com uma expectativa baixa, mas vendemos 50% acima do que esperávamos. A arte e a cultura são uma tábua de salvação. Sobrevivem em qualquer época”, disse ela, que irá inaugurar seu braço carioca, batizada de Carpintaria, no dia 20 de novembro, no Jockey Club.

Maxime Porto, curador da francesa Galerie Agnès Monplaisir, ao lado da obra do alemão Igor Mitoraj (Foto: Divulgação)

Maxime Porto, curador da francesa Galerie Agnès Monplaisir, ao lado da obra do alemão Igor Mitoraj (Fotos: Murillo Tinoco/Divulgação)

Para quem for visitar a expô neste fim de semana, o HT dá uma dica: a feira está organizada em dois programas. No primeiro, intitulado Panorama, participam galerias nacionais e estrangeiras com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea. Enquanto no segundo, Vista, o espaço é voltado para galerias jovens, com projeto de curadoria experimental e foco na arte contemporânea emergente. Tem arte para todo tipo de gosto. Outra iniciativa bem interessante da produção fica por conta da meta de receber doações de obras para museus e coleções públicas do Brasil. Nas últimas edições, foi firmada uma parceria com o Museu de Arte do Rio (MAR), estimulando visitantes a adquirir obras para doação à instituição. Na época, o MAR recebeu mais de 40 obras através desta ação.

Um dos curadores da feira, Luiz Calainho comentou sobre as novas dependências da feira de arte mais querida do Rio. “A gente está em uma emoção imensa. Estamos comemorando seis anos desse evento com a expectativa de sucesso absoluto. A revitalização dessa área vai proporcionar que muito mais pessoas passem por aqui e apreciem o melhor da arte contemporânea mundial. Há seis anos, essa era uma região erma. No ano passado a feira acontecia no meio das obras e agora estreamos neste momento mágico na Praça Mauá. A gente percebe que as galerias estão felizes de estarem aqui, a expectativa de negócios é muito grande e temos certeza que esse ano de 2016 será histórico”, comemorou ele, que comentou sobre o mercado das artes em tempos de crise. “É um momento desafiador, mas as pessoas aqui tendem a dar uma relaxada. Quando você se depara com obras de alto nível fica difícil ficar indiferente. Mas os valores estão bem democráticos, tem para todo mundo. E mesmo para aqueles que não querem comprar nada, que venham se relacionar, conhecer o espaço, porque a arte sempre será uma imensa luz na alma de cada um de nós”, constatou.

Calainho segue confiante com o sucesso da expo (Foto: Divulgação)

Calainho segue confiante com o sucesso da expo (Fotos: Murillo Tinoco/Divulgação)

Outra galeria carioca, a Artur Fidalgo, optou por apresentar um projeto solo de um de seus artistas, José Damasceno. A estratégia foi bem-sucedida no ano passado, quando fez o mesmo com Fernando de la Rocque, e, segundo o galerista, reforça institucionalmente a casa. “É inegável que a crise está aí, mas os colecionadores continuam comprando, ainda que em uma proporção menor. Estou bastante esperançoso”, disse Fidalgo, que participa da feira desde a primeira edição, em 2011, quando o elevado da Perimetral ainda estava de pé e a área era um verdadeiro deserto.

Outro destaque também vai para a francesa Galerie Agnès Monplaisir, que trouxe quadros da artista plástica Olga de Amaral, que também chamou bastante atenção de quem passava por lá. O quadro batizado de “Pueblo”, que retrata uma espécia de aldeia em planta baixa, está sendo avaliada no valor de até Us$ 356 mil. “Estamos apresentando a Olga, que está com a gente desde o início, o alemão Igor Mitoraj e o francês Daniel Hourdé. A Olga também fez um dos pôsteres oficiais para as Olimpíadas do Rio. Foi a única artista estrangeira convidada para esse projeto. Em termos de negócios a feira começou muito bem. A definição do mercado da arte não tem regra. Estou muito confiante”, disse Maxime Porto, curador da galeria.

Obra da artista plástica colombiana Olga de Amaral (Foto: Leonardo Rocha)

Obra da artista plástica colombiana Olga de Amaral (Foto: Leonardo Rocha)

Para os amantes da fotografia, um espaço que se destaque entre os standes da ArtRio é o da carioca Galeria da Gávea. O espaço é especializado em retratos contemporâneos voltados para imagens do caos da superpopulação nas grandes metrópoles até flashs que buscam o romantismo em situações adversas. Destaque para as fotos de Bruno Veiga, que retratou a tragédia de Mariana, quando a barragem da empresa Samarco devastou o município mineiro com um mar de lama. “A gente participa desde 2012 e esse ano trouxemos o trabalho do Bruno Veiga, que fala sobre Mariana, onde ele trabalha essa questão da tragédia, mas com uma poética muito delicada. Não é uma fotografia documental ou jornalística, mas ela também ajuda a refletir sobre nossos problemas ambientais. Já as obras do Júlio Bittencourt, um fotógrafo paulista, que se chama Pletora, fala sobre o excesso de pessoas no mundo. Então ele escolheu os hotéis capsula, famosos em Tókio, no Japão, para montar sua tiragem deste ano”, comentou Gabriela Toledo, diretora da galeria carioca.

Já os que preferem quadros mais irreverentes, vão se encantar com as pinturas e colagens do artista britânico Damien Hirst – representado pela galeria norte-americana Other Criteria New York and London. Apesar de ser muito conhecido por dar representatividade à morte em seu trabalho, as telas desta edição surpreendem perla representatividade de borboletas, cores e muito brilho – deixando as icônicas caveiras de lado. O quadro purpurinado de Mickey e Minnie se destaca na mostra da galeria. “As peças trazidas para esta edição da ArtRio são como tesouros. São peças que tiveram poucas tiragens no mundo e foram guardadas especialmente para o Brasil. Elas já foram apresentadas em outras exposições pelo mundo e guardamos a última tiragem para o Rio”, declarou o curador David Fung.

Quadros de Damien Hirst (Foto: Divulgação)

Quadros de Damien Hirst (Foto: Divulgação)

No ano passado, a ArtRio recebeu cerca de 45 mil visitantes, entre compradores, artistas e pessoas apenas interessadas em apreciar as obras dos acervos das galerias participantes. A visitação acontece, de quinta-feira a sábado, das 13h às 20h, e no domingo, das 13h às 19h. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 a meia-entrada e o Pier Mauá fica na Avenida Rodrigues Alves, 10, no Boulevard da Orla Conde, na região portuária do Rio.

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  • José Luiz Lopes de Faria

    Ótimo que a ART RIO esteja no seu sexto ano e com sucesso.
    Sou colecionador desde 1981 de:
    a) Vidros franceses assinados (sec. XIX e início do sec.XX) Gallé, Daum e Lalique,
    b) Xícaras de porcelana européia, sec XIX, para chá, chocolate ou tasse litron, em policromia, com paisagens em reserva,
    c) Quadros a óleo do pintor Sergio Telles
    Entretanto, nunca fui à feira por não me sentir bem sendo cobrado antes mesmo de entrar lá.
    Eu não concordo que o potencial comprador tem que pagar entrada para poder comprar no interior da feira.
    Ah! mas, 30,00 reais já vai afastar os oportunistas…
    Acredito que existem outros meios de evitar os famosos bicões.
    É assim que penso. Fica a minha opinião e o meu registro.
    Att,
    José Luiz Lopes de Faria
    Praça Eugênio Jardim, 34 apto. 302
    22061-040 Copacabana RJ